quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Poema: Retornello


Eu morri naquela noite
Foi naquela noite que eu morri
Corpo gelado estendido no chão
No chão há um corpo gelado
Também há uma carta
Mas ninguém viu a carta
Nem o corpo que estava no chão
Eu morri naquela noite
Sozinho eu morri
Você não viu o meu corpo?
Sozinho está meu corpo gelado estendido no chão
Uma noite sem ninguém
Não havia ninguém além de mim

(Lord Klavier)

Poema: Memórias de um desistente


Lembro da infância perdida
Da época em que era apenas o agora
Lembro da vida tranquila
Do mundo que não existia
Lembro dos sons
Das músicas que eu ouvia
Lembro de você
Dos olhos que não me viam
Lembro de tudo
E de todos
Lembro de fingir
Foi por isso que desisti


(Lord Klavier)

domingo, 20 de setembro de 2009

Poema: Comigo



Amigo, venha caminhar comigo
E mostrarei que a noite é mais clara que o dia
Que a sua força é maior que a minha
Mas me machucar não é permitido

Amigo, venha caminhar comigo
Pois assim seremos menos tristes
O sofrimento não te proíbe
De derrotar seus inimigos

Amigo, venha caminhar comigo
Veja! As estrelas nos esperam
Somos maiores do que éramos
Apenas por sermos amigos

Então, venha caminhar comigo
Pode apoiar-se em meu corpo
Mais do que isto eu não sofro
Não vê que este é o corpo de seu amigo?

Amigo! Porque não queres caminhar comigo?


(Lord Klavier)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Viver e Existir!


“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”
Oscar Wilde



Você vive de verdade ou apenas existe? Apenas está presente fisicamente neste mundo? Você vive para existir ou existe para viver? Ou considera que existir é viver ou viver é existir?

Mais sobre a minha vida...


Peço desculpas, novamente, pelo sumiço. E gostaria de agradecer a todos que estão “acompanhando” a minha vida. Eu sei que são poucos, mas pelo menos sinto que não estou escrevendo à toa. Muito obrigado, gente! ^^
Depois da creche eu fui para a pré-escola, mas houve um probleminha...
Eu nasci em agosto de 1989, e eu não poderia entrar no pré com 5 anos para fazer 6, ou seja, entrei com 6 anos para fazer 7. E fui para a primeira série com 7 para fazer 8. Você provavelmente já deve ter percebido que é como se eu estivesse um ano atrasado com relação aos demais. Enquanto a maioria concluiu o ensino médio com 17 anos, eu já tinha 18! Bem... Isso nunca me preocupou, mas eu odiava falar a idade e “neguinho” arregalar os olhos e me perguntar “Nooossaaaaa! Você repetiu algum ano?”.
Bons tempos a pré-escola! Quanta energia, quanta felicidade, ingenuidade, inocência e bondade! Bondade?! Acho que só se for da minha parte, porque desde lá eu já observava verdadeiros demônios se desenvolvendo no meio de crianças.
Pega-pega continuava sendo a minha brincadeira favorita. Como eu corria! Mas lá no pré era proibido correr, “eles” adoravam assustar as crianças com histórias do tipo “Outro dia um garoto estava brincando de pega-pega e acabou caindo, bateu a cabeça e MORREU!”. Entrava por um ouvido e saía pelo outro, não só em mim como na cabecinha de todas as outras pequenas criaturas.
E pra complicar a vida das crianças, existia um “tio”, um velho estranho, rabugento e mal-humorado que apanhava as crianças em plena corrida. Certo dia, quando eu estava... Adivinha o quê? Eu trombei de cara na barriga dele. Meu nariz tevê hemorragia na hora e eu apaguei. Quando despertei eu estava deitado num banco do pátio, com a professora segurando um lenço no meu nariz e, ao meu redor, todo mundo da minha turma me observando completamente atônitos. Parecia filme: “Oooh! Ele está acordando!”.
Eu estudava de manhã e como minha mãe trabalhava fora (empregada doméstica), quem me levava para o pré era o Sr. Enéias, um velho dono de um bar, e amigo da família. Muito “gente fina”.
Nem tenho muito que falar do pré. Foi uma ótima fase. Eu tinha bons amigos, me divertia muito, inteligente e como sempre causava muita inveja em alguns.
Ah! Já ia me esquecendo de que eu tive formatura no pré. E paguei um mico legal: fui de bermuda, tênis e uma camisa do “Mortal Kombat”! Enquanto todos os outros estavam a rigor. Fiquei com um pouco de vergonha, mas logo passou, afinal eu era criança. Se fosse hoje em dia eu não saberia onde enfiar a cara.
As crianças foram divididas em casais. A garotinha que eu fiquei, claro, estava toda produzida, vestido branco, flor no cabelo e tal... Hoje em dia eu indago “Será que a mãe dela ficou chateada em ver que o par dela não estava à caráter?”. Não sei, mas fizeram questão de tirar uma foto de nós dois juntos. Eu deveria estar ridículo, mas como era criança muita gente deve ter achado “engraçadinho” (prefiro acreditar nisso).

“Na infância, o aparelho sexual ainda está inativo enquanto o cérebro já funciona plenamente; por isso, essa é a época da inocência e da felicidade, o paraíso perdido do qual sentimos falta pelo resto da vida.”
Arthur Schopenhauer

terça-feira, 14 de abril de 2009

Música: Leave The World (tradução)


Deixe o mundo


Você deita em sua cama esta noite
Seus olhos se movem com as paredes
Não há mais ninguém ao seu lado
E se sente sozinho

Uma vela queima em seu quarto
Chuvas continuam caindo sobre seu passado
Sem esperança para uma vida melhor
E se sente paralisado

Uma lágrima negra cai de seus olhos
Você pega a lâmina em sua mão
Um corte para o fim de tudo
Você quer morrer esta noite

Em asas de sangue você pode voar
Ninguém pode mais te trazer de volta
Você está em seu modo de silêncio eterno
Ninguém pode te machucar aqui

Você quer escapar desta vida
Você quer se esconder de si mesmo esta noite
Da escuridão de seus sonhos
Quer apenas deixar este mundo

(BLUTENGEL)

Um pouco mais sobre mim...

Desculpe o sumiço. É que essas coisas são meio chatas de se atualizar.

Anteriormente eu parei no momento em que entrei para a creche, o jardim de infância...

Era um lugar desprezível! Algumas "tias" para tentarem impor respeito, ameaçavam as crianças com a sandália na mão! Elas tinham os seus favoritos: os filhos de outras "tias".
Lá eu aprendi a escrever meu nome, a desenhar (muito bem), usar macinha, essas coisas que crianças precisam para desenvolver bem sua cognição. Eu não tinha muitos amigos, um ou dois apenas... No recreio eu adorava brincar de pega-pega, mas tinha um problema: nesse lugar também havia crianças mais velhas, que já estavam além do jardim de infância e elas adoravam tirar uma com as crianças mais jovens. Adoravam por o pé na frente enquanto brincávamos, ameaçavam as crianças só pra vê-las chorar e não deixavam mais ninguém usar a gangorra.

Minha irmã mais nova entrou nessa mesma creche um tempo depois (não me lembro ao certo), então eu ficava com ela no recreio também. Minha mãe era muito invejada nas reuniões, pois era conhecida como a mãe dos "inteligentes", o que causava revolta nas mães dos filhos burros.
Houve uma ocasião em que ia ter uma peça teatral sobre o nascimento de Cristo. Inicialmente eu iria ser o Jesus (credo), mas resolveram me trocar por uma garota, e sabe qual foi a desculpa? Essa menina tinha "Jesus" como sobre nome. rsrsrs Muito ridículo isso... Se bem que ela tinha cabelos compridos que a deixavam semelhante ao estereótipo falso do Jesus europeu. Enfim... eu fui um anjo, nem me lembro de mais detalhes (ainda bem, isso mostra como foi importante pra mim participar de uma merda dessas)...

Houve outros “mega” eventos como peças de teatro, desfiles, apresentações em datas comemorativas, festas com os pais e outras porcarias.

Na maioria das vezes quem me levava à creche era minha irmã mais velha. O caminho era lamentável: tinha um trecho bem próximo da creche em que tinha que passar por cima de uma ponte de madeira muito mal feita com um córrego passando por baixo. Era um bairro horrível. Ainda bem que eu não morava perto, se bem que o meu bairro também não era aquelas coisas. Lixo é quase tudo igual, não é?

Bem, num outro dia, se eu estiver afim, falo mais um pouco sobre a minha infância. Mas já devo adiantar que não pretendo contar todas as fases da minha vida, pois muita coisa não tem a mínima importância, já que em toda a minha vida eu fui casado com o tédio, mas quando eu era criança eu não percebia isso, é claro. ^^

domingo, 22 de março de 2009

Poema: Minha Própria Tortura

Não me aguento dentro de minha própria pele
Encurralado contra ossos e carnes
Eu faço minha própria tortura
Pois a tortura é ser eu
Talvez eu possa dar um fim a isso
Se eu pudesse viver fora de mim
Eu o faria
Caindo a cada dia
Estou na lama
Nas garras do demônio
Não consigo sair daqui
Mas gostaria poder
Porque estou preso dentro de mim
Já estou farto de pensar
Pois o mínimo impulso cerebral
É capaz de desencadear horrenda dor
Minha vida é ser sempre o último
Eu possuo vida?
Esquecido pelos outros e por mim
Quem pode me ver ou me ouvir?
A minha derrota é previsível
Mas já não sou um derrotado?
Caindo a cada dia
Não viver seria a escolha mais fácil
Mas eu quero sair daqui
Eu faço minha própria tortura
Caindo a cada dia
Portanto meu holocausto também
O fim de tudo é logo ali
Já estou farto de pensar
Entretanto é tudo o que me resta
Ficar preso dentro de mim
Caindo a cada dia
Até que meu corpo encontre o chão

(Lord Klavier)

terça-feira, 17 de março de 2009

Um pouco sobre mim...

Imaginem um rapaz (com cara de garoto) depressivo, meio anti-social, solitário e estranho. Imaginaram? Pois então vocês devem ter idealizado algo muito próximo do que eu sou.

Atualmente vivo em melancolia e ódio da minha própria vida. Isso já faz algum tempo, acho que começou em meados de 2001 quando minha vida mudou de verdade.
Desde que eu nasci vivi e cresci em Embu das Artes - SP. Era uma cidade legal, eu não tinha do que reclamar. Viviam eu, meu pai e minha mãe e minhas duas irmãs, uma mais velha e a outra mais nova que eu, ou seja: eu sou o do meio e único filho homem.
Minha mãe e meu pai só moravam no mesmo teto, pois como casal não se davam bem. Meu pai era um alcoólatra pirracento aposentado por conta de um derrame cerebral. Ele não era um super deficiente mas meio que "puxava" uma perna e era meio infantil as vezes. Mesmo assim era muito trabalhador e dava valor ao dinheiro (apesar de gastá-lo nos bares) e também adorava andar e passear, depois de aposentado então não conseguia ficar em casa sem fazer nada, conhecia qualquer lugar, sabia andar em São Paulo como se tivesse o mapa completo na palma da mão (eu sempre admirei isso nele porque eu achava andar na cidade algo muito complicado). Minha mãe era doméstica, fazia de tudo pra dar aos filhos o que o pai negava. Sempre foi muito carinhosa, atenciosa e protetora.
Minha mãe sempre me disse que desde criança eu era meio estranho: eu era um bebê quieto e observador, não aceitava ficar com ninguém a não ser com ela.
Quando eu fiz uns 3 ou 4 anos minha mãe me colocou num jardim de infancia. Foi horrivel, ainda me lembro do primeiro dia: eu berrando para não me tirarem da minha mãe e me levarem para a sala. Mas me levaram... e foi aí que passei a conhecer a coisa mais perversa do universo - o ser humano.

Bem, mas minha vida na creche fica pra outro dia, porque já é tarde e eu acordo cedo pra ir pra faculdade.

Boa Noite...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Música: I'm Dying Alone (tradução)



Estou Morrendo Sozinho


Você não pode me ver caindo?

Em uma queda sem fim

Você não pode me ouvir chamando?

Uma chamada infinita

Você não pode me ver sangrando?

Estou perdendo o controle

Você não pode me ver morrendo?

Estou morrendo sozinho

(BLUTENGEL)

Poema: Morte (Hora de Delírio)


Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és o termo
De dois fantasmas que a existência formam,
– Dessa alma vã e desse corpo enfermo.

Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és o nada,
Tu és a ausência das moções da vida,
Do prazer que nos custa a dor passada.

Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és apenas
A visão mais real das que nos cercam,
Que nos extingues as visões terrenas.

Nunca temi tua destra,
Não sou o vulgo profano:
Nunca pensei que teu braço
Brande um punhal sobre-humano.

Nunca julguei-te em meus sonhos
Um esqueleto mirrado:
Nunca dei-te, pra voares,
Terrível ginete alado.

Nunca te dei uma foice
Dura, fina e recurvada;
Nunca chamei-te inimiga,
Ímpia, cruel, ou culpada.

Amei-te sempre: – e pertencer-te quero
Para sempre também, amiga morte.
Quero o chão, quero a terra, – esse elemento,
Que não se sente dos vaivéns da sorte.

Para tua hecatombe de um segundo
Não falta alguém? – Preenche-a tu comigo.
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.

Miríadas de vermes lá me esperam
Para nascer de meu fermento ainda.
Para nutrir-me de meu suco impuro,
Talvez me espera uma plantinha linda.

Vermes que sobre podridões refervem,
Plantinha que a raiz meus ossos ferra,
Em vós minha alma e sentimento e corpo
Irão em partes agregar-se à terra.

E depois nada mais. Já não há tempo,
Nem vida, nem sentir, nem dor, nem gosto.
Agora o nada, – esse real tão belo
Só nas terrenas vísceras deposto.

Facho que a morte ao lumiar apaga,
Foi essa alma fatal que nos aterra.
Consciência, razão, que nos afligem,
Deram em nada ao baquear em terra.

Única idéia mais real dos homens,
Morte feliz, – eu quero-te comigo.
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.

Também desta vida à campa
Não transporto uma saudade.
Cerro meus olhos contente,
Sem um ai de ansiedade.

E como autômato infante
Que ainda não sabe sentir,
Ao pé da morte querida
Hei de insensato sorrir.

Por minha face sinistra
Meu pranto não correrá.
Em meus olhos moribundos
Terrores ninguém lerá.

Não achei na terra amores
Que merecessem os meus.
Não tenho um ente no mundo
A quem diga o meu – adeus.

Não posso da vida à campa
Transportar uma saudade.
Cerro meus olhos contente
Sem um ai de ansiedade.

Por isso, ó morte, eu amo-te, e não temo:
Por isso, ó morte, eu quero-te comigo.
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.


(Junqueira Freire 1832 - 1855)

domingo, 15 de março de 2009

Poema: Transfiguração



Das manhãs de solidão profunda
Às noites de desespero desconsolado
As aflições que vêm a tona
Para, de mim, se acabarem
As interrogações surgem sem respostas

As trevas consomem depressa
A cada estrela que surge a brilhar
É cada minuto que se esvaia
Por que a morte não dá um fim a isso?

A dor é cada vez mais profunda
O corpo se retorce com muita relutância
O organismo tenta lutar contra o outro
Mas as trevas consomem depressa
A cada estrela que surge a brilhar
É cada minuto que se esvaia

A minha batalha contra isso é em vão
A minha tormenta exclusão
Só alimenta ainda mais a fome
Eu já não tenho mais forças para lutar

O meu sentido aguçado me arrasta
Arrasta-me para onde eu mais temo
Para onde eu menos desejo
Quando o fim da linha chegar
A surpresa será enorme
Mas é muito difícil controlar-se

Ela me olha
Eu a reconheço
Ela me repugna
Mas eu a desejo

O grito quebra agudo na escuridão
Os meus olhos a admiram perplexos
Os meus dentes a devoram com vontade
O remorso vem aos prantos
Ou seria aos uivos?

Mas já não dá mais para lamentar
A escuridão se dissipa
A lua se esconde
Mas eu nunca irei animar

Por que a morte não dá um fim a isso?
Porque é sempre assim:
Das manhãs de solidão profunda
Às noites de desespero desconsolado

(Lord Klavier)