domingo, 16 de janeiro de 2011

Poema: Angústia



Para Paulo

Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós, 
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar!... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! – 
O brilho duma estrela, com o vento!...

E não se apaga, não... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga...
Vem sempre perguntando: “O que te resta?...”

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

(Florbela Espanca)

4 comentários:

  1. Nossa pra mim...apropriado, intenso, cativante...adoraria calar a voz da minha angústia..........

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  2. q triste e melancólico; interessante

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  3. sua poesia e muito boa,parabens.

    gostaria que vc visitase meu site

    www.tribodosgoticos.com

    bem vindo a tribo!

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  4. Adoro esse poema da Florbela *-*

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